“Carpe diem”

"Carpe diem"

Muitas das vezes deixamos para trás alguns sonhos, esquecidos, postos em segundo plano por uma rotina ou simplesmente constantemente adiados para um futuro incerto. Esta pequena frase invoca a capacidade de lutarmos pelos nossos sonhos, de seguir os nossos ideais e de tornar diferente cada dia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Animação Sociocultural nas Bibliotecas

Biblioteca
Na definição tradicional, biblioteca é um espaço físico em que se guardam livros. De maneira mais abrangente, biblioteca é todo espaço concreto, virtual ou híbrido, destinado a uma colecção de informação, quer sejam escritas em folhas de papel (monografias, enciclopédias, dicionários, manuais, revistas, jornais), ou ainda digitalizadas e armazenadas em outros tipos de materiais, tais como DVD’s, CD’s, VHS, fitas, etc. A biblioteca é uma instituição destinada á comunidade, um instrumento ao serviço da cultura e indispensável à formação. Como tal, deve estar atenta aos interesses e às necessidades novas, que vão surgindo na comunidade, às novas categorias de utilizadores, fazendo chegar a todos a informação pertinente.
“A biblioteca pública é a porta de acesso local ao conhecimento e à informação, proporcionando as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais.”(Unesco, 1994)

Animação Sociocultural
O objectivo de base da Animação Sociocultural, é a democratização da cultura, procurando numa cultura viva, tecida nas relações com o quotidiano, contribuir para a qualidade de vida, numa perspectiva de desenvolvimento participado.
“A ASC assume-se numa perspectiva praxiológica, transformando a passividade, a resignação e o fatalismo do viver humano em participação, autonomia e emancipação. A animação é, pois, entendida como uma estratégia para o desenvolvimento pessoal e comunitário.” (Peres, 2007)

Animação Sociocultural nas Bibliotecas
A biblioteca, inserida na comunidade, constitui uma alternativa cultural e um complemento pedagógico inestimável, com as iniciativas e estímulos pela leitura, ocupação dos tempos livres, diversificação de actividades intelectuais e recreativas, bem como as actividades de aperfeiçoamento e de criatividade. Todas as Bibliotecas deverão transformar-se no principal centro cultural da vida da comunidade, dispondo de todos os suportes de informação, beneficiando de todas as técnicas de comunicação e uma diversidade de actividades culturais e educativas. A animação cultural na biblioteca tem extensões comunitárias que desenvolve através de actividades ligadas ao texto literário, ao livro, actividades ligadas ao jornal, á pintura, á musica, ao teatro, ao cinema.

Animação da leitura
“ A animação tanto é definida como um meio para trazer á biblioteca os que não recorrem a ela espontaneamente; como um método para tirar o grande público de uma certa rotina e passividade … ou ainda como uma oportunidade para desenvolver o espírito crítico e o poder criativo dos leitores.”, (Gascuel 1994).
Com as actividades lúdicas, a Biblioteca consegue cultivar na comunidade o gosto da leitura. O lúdico que segundo Marcellino (1987), é gozar o momento, o presente, o agora. Deve relacionar-se a necessidade de trabalhar para a mudança do futuro, através da acção no presente, e a necessidade de vivenciar todo o processo de mudança, sem abrir mão do prazer.
Na base de toda a politica de promoção e desenvolvimento cultural, a leitura deve e deverá ocupar um lugar primordial. No fundo o “prazer de ler” é um bem pessoal, social, cultural e artístico.
“O livro e a leitura permanecem como instrumentos privilegiados de acesso e democratização da cultura e, por consequência, também as bibliotecas destinadas a servir o público em geral, concebidas para dar resposta às suas necessidades em termos de informação, auto-formação e ocupação dos tempos livres.” (Ministério da Educação e Cultura, Decreto-Lei nº111/87 de 11 de Março)
A leitura é uma porta que nos abre mundos, um mundo que nos revela novas realidades e novas fantasias. No final de cada livro ficamos enriquecidos com novas experiências, novas ideias, novas pessoas. Eventualmente, ficaremos a conhecer melhor o mundo e um pouco melhor de nós próprios.
“Ler é, antes de tudo, compreender”. (SILVA, Ezequiel T. da, 1992)
O Animador sociocultural, deverá pensar e realizar uma dinamização das bibliotecas, de forma a que se tornem um campo para a exploração e enriquecimento cultural, difundam o prazer da leitura, orientem o uso do livro, criem um ambiente favorável à formação do hábito de leitura e estimulem a apreciação literária.
O Animador precisa de animar o público-alvo, motivá-los continuamente para que não caiam no desânimo, para que o leitor se divirta com o livro ou com a leitura, cultive o gosto pela leitura e crie o hábito pela leitura. Só um verdadeiro leitor é capaz de transmitir a paixão pela leitura: ler e animar a ler implica paixão, e implica obviamente ler.
"Se não lemos dificilmente poderemos animar a ler. Se não nos apaixona a leitura, dificilmente conseguimos apaixonar aos outros. Só o que sente paixão, apaixona."
A promoção da leitura exige tempo, acções repetidas, fugir da “espectacularização” da leitura. Só incitamos a ler quando há um trabalho continuado, habitual e a longo prazo. Portanto, não há que ter presa, os resultados só vêm a longo prazo. As actividades de animação à leitura são um método, não um objectivo em si mesmas. O nosso trabalho como mediadores é aproximar os livros das pessoas, facilitar-lhes oportunidades de leitura. O nosso papel não é dirigir, mas propor, acompanhar na descoberta da leitura.
Animar a ler é motivar, despertar a curiosidade, contagiar, expandir, fazer chegar, é criar leitores activos, participativos, que, através da sua leitura, satisfaçam a sua curiosidade, cheguem a conclusões, contrastem com as suas próprias experiências aquilo que lêem.