Método – FILOS. Vocabulário derivado do grego meta ₊ odos quer dizer caminho ou direcção para um objectivo, um termo.
Na filosofia Antiga, podia exprimir simplesmente a pesquisa (Aristóteles) ou a especulação e contemplação da verdade (Platão) ou ainda o conhecimento pelas causas. O método é, pois, uma direcção definível, ordenada, e não fruto de mero acaso ou fortuna; direcção orientada por normas que dão garantias de facilidades, rapidez, perfeição e eficácia.
A palavra método é de origem grega e significa: “o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos factos ou na procura da verdade.” (Ruiz, 2002)
Um método é um conjunto de princípios que orientam a selecção do objecto de estudo, a formação dos conceitos apropriados e as hipóteses. Todo o método é um caminho para chegar a algum sítio de uma maneira certa.
Com ele se relaciona a Metodologia, ou seja, a procura do método mais adequado a seguir: é uma doutrina do método. Pode designar a lógica ou a parte da lógica que estuda o método (assim a entenderam Wolff, Stuart Mill e outros, para os quais a lógica devia ocupar-se do conceito, do juízo, do raciocínio e do Método).
A Metodologia é elaborada no interior de uma disciplina científica, para garantir a utilidade e eficácia das técnicas de que essa disciplina dispõe. A metodologia, como estudo histórico, analítico e crítico, dá-nos a compreensão de métodos e técnicas com valor já comprovado na prática da investigação.
A metodologia é um conjunto de procedimentos e regras para produzir conhecimento e está interligada com o enquadramento teórico global. Portanto é algo mais que uma técnica ou um conjunto delas. As técnicas de investigação são procedimentos operativos e os instrumentos para produzir dados. Esses dados servem para compreender os fenómenos, para captar as relações entre os fenómenos e a intencionalidade das acções sem permanecer na parte exterior.
A Técnica, num sentido muito largo, é o conjunto dos meios postos em acção pelo homem com vista à obtenção dos seus fins. Num sentido mais preciso, a Técnica, diz respeito a objectivos e meios materiais, hoje prolongados até ao planeamento e à teoria dos sistemas.
Segundo Michel Thiollent (2002), a metodologia é entendida como disciplina que se relaciona com a epistemologia ou a filosofia da ciência. O seu objectivo consiste em analisar as características dos vários métodos disponíveis, avaliar as suas capacidades, potencialidades, limitações e criticar os pressupostos ou as implicações da sua utilização. Ao nível mais aplicado, a metodologia lida com a avaliação de técnicas de pesquisa e com a geração ou a experimentação de novos métodos que remetem aos modos efectivos de captar e processar informações e resolver diversas categorias de problemas teóricos e práticas da investigação. Além de ser uma disciplina que estuda os métodos, a metodologia é também considerada como modo de conduzir a pesquisa.
A diferença entre método e técnica para este autor, reside no facto de que a segunda possui em geral um objectivo muito mais restrito do que o primeiro.
Para Ruiz (2002), reserva-se a palavra método para significar o traçado das etapas fundamentais da pesquisa, enquanto a palavra técnica significa os diversos procedimentos ou a utilização de diversos recursos peculiares a cada objecto de pesquisa, dentro das diversas etapas do método. A técnica é a instrumentação específica da acção, e que o método é mais geral, mais amplo, menos especifico. Por isso para o autor, dentro das linhas gerais e estáveis do método. As técnicas variam muito e alteram-se e progridem de acordo com o progresso tecnológico, naturalmente.
Por exemplo, o trabalho de campo antropológico é um método de investigação no qual a observação participante, que é uma técnica de investigação, assume um papel emblemático e central. Além da observação participante, o antropólogo, pode e deve utilizar técnicas de investigação, com o objectivo de testar e comprovar as informações que obtemos (i.e.: questionários, histórias de vida, inquéritos, entrevistas, etc.).
Segundo Ander-Egg (2008), nenhuma metodologia de intervenção actua no vazio, mas sim sobre uma realidade que continuamente nos apresenta novos problemas num contexto de acelaração de mudanças.